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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 20 a 25 anos


Explanação:
Há muito não escrevo...
Desperdício de um dom...
Escrever sempre foi minha paixão;
paixão esta estimulada pelos meus professores de Redação na escola.
Desde os 10 anos tenho um certo gosto pela escrita...
Guardei alguns dos cadernos...
Outros se perderam...
Neles, desde fatos reais até estórias mirabolantes.
Poesias, dissertações, narrações, cartas...
Sempre tive o sonho de publicá-las em um livro, mesmo que ninguém os comprasse, um livro só para meu deleite já bastaria...
Então veio a idéia: publicá-los num Blog _ fácil, rápido e barato...
São textos antigos...
Que, assim espero, servirão de inspiração para a retomada desse caminho tão gostoso que é o da escrita.
Vez ou outra sai coisa nova dessa cachola.
A quem tiver paciência, boa leitura!


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O que é isto?
Um grito para a morte (1998)

Tema: A favor da eutanásia.

“Meu nome é João. Sou um paciente terminal e há dez anos moro na UTI do Hospital das Clínicas de São Paulo. Não sei bem se são exatamente dez anos, pois aqui a gente perde a noção do tempo, só sei que me parece uma eternidade.

A espera angustiante me envolve. Não sei se amanhã poderei acordar e, se realmente acordar, encontrar minha família exatamente com a deixei. Será que minha mulher não me trocou por outro? Será que meus filhos ainda se lembram do pai brincalhão que eu fui?

Será... Oh, palavra ingrata_ aliás, é uma palavra que não deveria existir, pois só traz a dúvida, a incerteza.

Será que morro amanhã?!?

Não sei se meus amigos ainda se lembram de mim_ não sei se ainda tenho alguém pra cuidar de mim caso eu sobreviva. A dúvida me mata, pouco a pouco.

A cada segundo que passa, sinto o fio da vida indo embora, me abandonando. Todos me abandonaram. Resta-me apenas a enfermeira, que de hora em hora vem a meu quarto.

Minhas forças estão se esvaindo. Não sei se vale a pena lutar por um amanhã de luz, pois posso decepcionar-me com o mundo lá fora.

Sinto-me um sonâmbulo, pois vejo um pouco da vida e um pouco da morte. Esta situação me esgota.

Vou juntar minhas forças e o restante da minha fé para chamar a morte. Quero acabar com essa dor, de uma vez por todas. Preciso dizer um adeus definitivo a este mundo.

Nessas horas, a idéia da morte é minha única companheira e sua estrada me parece ser a menos sofrível e a mais consoladora.

... Será que morro hoje?!?”

Escrito por Marília às 19h34 [] [envie esta mensagem]


Mil e uma noites... na fila dos desempregados (1998)

Tema: Só existe realização profissional quando o indivíduo atende a sua vocação íntima.

O desemprego bate seu recorde: são milhares e milhares de “sem-nada”. Há uma minoria que não trabalha por opção, mas a maioria foi despedida devido à mecanização, onde um robô é capaz de exercer o trabalho de dezenas de homens em um tempo menor.

Há casos em que o trabalho adulto é substituído pelo infantil; já as crianças trabalham para ajudar aos pais e, portanto, não exigem salários maiores nem melhores condições de trabalho; como na colheita de laranja, em Sergipe, onde 12 mil crianças trabalham. Há muitas crianças vivendo da prostituição e de outros subempregos. A vida tornou-se um grande palco de uma luta sangrenta, onde o vencedor é aquele que tem dinheiro_ a essa altura, dignidade é uma palavra desconhecida.

Com a crise econômica, a maioria dos indivíduos opta por exercer uma profissão lucrativa_ mesmo não sendo de seu gosto. Pesquisas mostram que é difícil tornar-se um bom profissional numa atividade em que não se tem prazer. O profissional deve ser dedicado e comprometido com seu trabalho. As pessoas notam, prestam atenção em quem gosta do que faz, em quem trabalha por prazer e não por obrigação. Sendo bom na profissão, o dinheiro irá aparecer algum dia.

Não se pode escolher uma profissão apenas por, atualmente, ela oferecer boas oportunidades de emprego, pois isso pode mudar com o tempo. Atividades consideradas como bem remuneradas, revelam seu outro lado: não basta ser médico ou advogado, é preciso ser muito competente e saber ir atrás de novas oportunidades.

Há muitos médicos que precisam trabalhar em três locais diferentes para conseguir obter um salário decente no final do mês. Há pessoas que abandonam seus empregos para venderem cachorro-quente na rua. A crise já atingiu a todos.

O indivíduo deve atender ao apelo da sua vocação para realizar-se profissionalmente. O bom profissional, aquele que não se cansa de estudar, de buscar algo novo, sabe driblar o desemprego.

Não existem fórmulas de sucesso. Este está no interior de cada indivíduo, tímido como um botão de rosa. Depende exclusivamente das pessoas fazer com que esse broto germine.

Escrito por Marília às 19h47 [] [envie esta mensagem]


Não há motivo para comemorações (1998)

Tema: Brasil: 500 anos entre a floresta e a escola.

Em pleno século XXI, o Brasil ainda é latifundiário, a agricultura é a base de sua economia e está nas mão de poucos. O poder passa de geração a geração dentro de uma mesma classe dominante há séculos.

Quando Cabral chegou aqui, deparou-se com índios e florestas mas não se intimidou: matou os índios e desmatou as florestas. Fato que ocorre até hoje_ o índio Geraldino foi queimado por 4 adolescentes de Brasília, a Mata Atlântica está reduzida a uma pequena faixa de terra, a Amazônia é desmatada constantemente para diversos fins.

Os colonizadores utilizaram-se do trabalho escravo. Os patrões de hoje também o fazem. Em Sergipe, 12 mil menores trabalham na colheita da laranja e quase todos tiveram suas digitais corroídas pelo ácido cítrico. Na mineração, crianças colocam em risco seus pulmões e sua vida em troca de míseros trocados. Aproximadamente 7,5 milhões de jovens de 10 a 17 anos trabalham (a maioria vende doces nos semáforos ou se prostitui), o que representa 11,6% da força de trabalho brasileira. Em contrapartida, o desemprego entre adultos é alto devido ao medo que os empregadores têm do prejuízo, já que a economia ainda não se estabilizou.

Em meio à miséria no Nordeste, onde os responsáveis são os políticos que desviam verbas, a Copa do Mundo polariza paixões nacionais e emoções patrióticas. O futebol deixou de ser brincadeira de criança e envolve a mídia e a bolsa de valores. Disque 0900, sensacionalismo e lixo cultural, assim é a mídia brasileira.

País multifacetado, onde o cinema está recuperando seu fôlego e o voto é obrigatório, pois os políticos sabem que a instrução do povo não é das melhores e, do contrário, muitos não votariam. Querem privatizar faculdades públicas (aliás, já venderam quase tudo ao estrangeiro) e retirar os cursos técnicos das escolas públicas, dizendo ser por economia. Mas não medem esforços para que o Brasil seja o líder do Mercosul e possa competir com o Estados Unidos na futura Alca. Fazem campanhas contra a automedicação, responsável por 80% dos lucros das indústrias farmacêuticas e 40% das vendas das farmácias e ao mesmo tempo formam médicos antiprofissionais que desconhecem as fórmulas químicas dos remédios e cometem abuso sexual e negligência. Policiais, que deveriam proporcionar segurança, matam 111 pessoas no Carandiru e 7 crianças na Candelária e ficam impunes. Pessoas não têm onde morar devido à ganância e ao descaso de alguns.

Gênios da música e da literatura brasileira tentaram e ainda tentam mostrar ao povo que já é hora de abrir os olhos e acordar a justiça, que dorme há cinco séculos.

São 500 anos no atraso. O Brasil vive ainda no século XVI ou na Idade da Pedra?

Escrito por Marília às 20h58 [] [envie esta mensagem]


Encenação (1998)

Tema: Diálogo sobre o desemprego.

(“1” sentado numa cadeira com a mão sob o queixo. “2” se aproxima.)

2- Meu amigo, por que é que você está assim?

1- Ah, eu estou queixoso da situação do nosso país. Ainda tenho lembranças dos anos anteriores, onde eu tinha um emprego.

2- É verdade! O número de desempregados chega a 1,5 milhão só em São Paulo. Dá até vontade de nem lutar por justiça.

1- Mas é preferível o trabalho ao ócio!

(“3”, um viajante, entra em cena.)

2- Bom dia! De onde você está vindo?

3- Eu sou oriundo do Nordeste. Estou vindo a São Paulo imbuído de vontade de trabalhar.

1- (suspira) Mais um caso de migração semelhante a todos os outros...

3- Ora, eu sei que hoje, dia 1º de Maio, estão acontecendo passeatas em todo o país devido à falta de emprego. Vim para trabalhar como pedreiro.

2- Meu amigo, saiba que até a mão-de-obra utilizada na construção civil deve ter um mínimo de qualificação.

1- É verdade. A situação está tão desesperadora que a notícia já foi redigida em vários idiomas.

2- E quem é tímido no agir, em tomar decisões, também está com seus dias contados. È necessário uma requalificação profissional geral para se conseguir um bom emprego.

(“4” entra em cena, cabisbaixo.)

1- Por que toda essa tristeza, compadre?

4- Antes eu estivesse melancólico por nada. Mas não é justo o que o governo está fazendo para com o povo.

3- E o que é que está havendo?

4- O governo diz que o único vencedor da corrida contra o desemprego é o ensino, mas não oferece educação, alimento ou moradia de boa qualidade ao povo e ainda reclama do alto índice de analfabetismo. Estou zonzo de tudo isso! Sou grato a Deus, que tem me ajudado em momentos tão difíceis...

3- Que Deus ajude a todos nós.

(1, 2, 4)- Amém.

Escrito por Marília às 19h37 [] [envie esta mensagem]